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30 de jan de 2015

Flávio Dino emite nota sobre o sepultamento do projeto da Refinaria de Bacabeira

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Em nota divulgada nesta sexta-feira(30), o governador Flávio Dino lamenta o desfecho dado ao projeto da Refinaria Premium, anunciado com pompas em 2010, e que consumiu somente em terraplanagem quase R$ 2 bilhões. Enfrentando um crise sem precedentes, a Petrobras anunciou o fim do projeto. 

Mesmo com essa decisão do governo federal, o governador diz que o está para o diálogo com a Petrobrás para a retomada de investimentos no Maranhão.

Confira a íntegra da nota.

NOTA: Refinaria Premium I 

I - O Governo do Estado lamenta profundamente que os esforços feitos pela iniciativa privada e pelo povo maranhense para garantir a instalação da Refinaria Premium I, como fator de desenvolvimento e geração de oportunidades para nossa gente, tenha apenas se transformado em um rol de notícias negativas, que envolvem antigos gestores do Governo do Estado.

II - Estamos prontos a dialogar com a Petrobras para a retomada de investimentos no Maranhão, sendo sanados os erros técnicos do projeto original, que não são de responsabilidade do povo maranhense;

III - Seguiremos trabalhando em sintonia com o Governo Federal para que nosso Estado receba projetos que efetivamente tragam desenvolvimento para todos.

Flávio Dino
Governador do Maranhão

29 de jan de 2015

David Graeber narra revolução curda que derrotou Estado Islâmico em Kobani

Pinar Öğünç’s | Evrensel | Ancara - 29/01/2015 - 15h07
Antropólogo norte-americano conta que partido marxista aderiu a práticas de autonomia e exército composto por mulheres expulsou fundamentalistas
Os milicianos armados do EI (Estado Islâmico), terão que reformular uma de suas canções: “O Estado Islâmico permanece, o Estado Islâmico cresce”. Reconhecidos hoje como a maior ameaça fundamentalista do Oriente Médio, o EI acaba de sofrer um inesperado revés, depois de triunfar em consecutivas batalhas contra forças iraquianas e síria. Nesta segunda-feira (26/01), depois de 134 dias de resistência, a guerrilha curda, reunida nas Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel – YPG), surpreendeu o mundo, expulsando as tropas do EI da cidade de Kobani, em território curdo situado no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia. Trata-se da derrota mais importante imposta sobre o EI na Síria desde sua aparição.
Desde o inicio da ofensiva contra Kobani, em 16 de setembro de 2014, mais de 600 combatentes curdos e 1000 jihadistas morreram. A vitória foi comemorada nas redes sociais após anúncio feito pelo porta-voz oficial do YPG, Polat Can, via Twitter. Assim como o EI, os combatentes curdos articulam-se na rede mundial de computadores. Nas paginas do Facebook Kurdish Resistance & Liberation e Solidariedade à Resistência Popular Curda pode-se acompanhar as fotos e vídeos dos últimos confrontos e a festa de comemoração após a vitória. Nem o mais otimista analista político, nem a poderosa coalizão encabeçada pelos EUA para derrotar o EI, esperavam tamanha proeza. Como é possível que uma guerrilha formada por homens e mulheres, desamparados militarmente pela falta de um Estado oficial, consiga derrotar a tropa mais sanguinária dos últimos tempos?
Divulgação/ Facebook

Integrantes da guerrilha curda na luta contra EI

David Graeber, professor de Antropologia (London School of Economics), passou 10 dias em Cizire – um dos acampamentos em Rojava, zona ocupada pelo curdos ao norte da Síria. Junto com estudantes, ativistas e acadêmicos, ele teve a oportunidade de observar a democracia confederalista curda.
O que motivou a ida de Graeber, foi uma pergunta feita em artigo publicado em Outubro passado no “The Guardian”, durante a primeira semana dos ataques do EI a Kobani: por que é que o mundo estava ignorando os curdos Sírios revolucionários?
Mencionando o seu pai, que se voluntariou para lutar nas Brigadas Internacionais na república espanhola em 1937, perguntou:
“Se existe hoje um paralelo com os assassinos falangistas, superficialmente devotos de Franco, quem será senão o EI? Se existe hoje um paralelo com as Mujeres Libres de Espanha, quem será senão as corajosas mulheres que defendem as barricadas de Kobani? Vai o mundo – e desta vez mais escandalosamente, a esquerda internacional — ser condescendente em deixar que a história se repita?”
Leia mais: Brics vão discutir em março criação de agência de classificação de risco própria, diz diplomata brasileiro

De acordo com Graeber, a zona de Rojava é fundamentalmente anti-estado, anti-capitalista e radicalmente democrática. Uma notável experiência revolucionária na região, que separa o poder coercitivo da administração pública e obriga aulas de feminismo para toda população. Leia a seguir, as impressões políticas que Graeber concedeu a Pinar Öğünç’s. (Cauê Seignemartin Ameni)
No artigo para o Guardian perguntaste por que é que o mundo ignora a “experiência democrática” dos curdos sírios. Depois da experiência de 10 dias, tens uma nova questão ou talvez uma resposta para isso?
Bem, se alguém tinha dúvidas se isto era uma verdadeira revolução, ou só alguma “sombra”, diria que esta visita tira todas as dúvidas. Ainda existem pessoas a dizer: “Isto é só uma frente do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), na verdade são só uma organização autoritária stalinista, que apenas finge ter adotado uma democracia radical”. Não. Isto é mesmo sério. É uma revolução genuína. Mas de certa maneira, é exatamente esse o problema. Os grandes poderes têm-se entregado a uma ideologia que diz que as verdadeiras revoluções já não podem acontecer. Entretanto, muita da esquerda, mesmo a radical, parece taticamente ter adotado a política que assume o mesmo, apesar de parecerem superficialmente revolucionários. Com um tipo de “anti-imperialismo” puritano que assume que os únicos jogadores importantes são os governos e capitalistas, e que esse é o único jogo que vale a pena discutir. O jogo onde se batalha, se criam vilões míticos, se agarra petróleo e outros recursos, montam-se redes de patrocínios; é o único jogo da cidade. O povo de Rojava diz: “Nós não queremos jogar esse jogo. Queremos criar um novo”. Muita gente acha isto confuso e perturbador, então escolhem acreditar que não está acontecendo nada, ou que essas pessoas estão iludidas, são desonestas ou ingênuas.
Leia mais: Relato - Fugindo de Kobani: alívio e culpa
Desde Outubro que vemos uma crescente solidariedade vinda de vários movimentos políticos de todo o mundo. Houve uma grande e entusiástica cobertura da resistência em Kobani pelos meios de comunicação internacionais. A posição política perante Rojava mudou no Ocidente, de certa forma. Existem sinais significativos, mas estariam discutindo suficientemente a autonomia democrática e as experiências nos cantões de Rojava? Que parte de “algumas pessoas corajosas a lutar contra o grande mal desta era, o EI” não estará a dominar esta aprovação e este fascínio? Acho que é notável que tanta gente no Ocidente olhe para estes quadros de feministas armadas, por exemplo, e nem sequer pense nas ideias por trás delas. Apenas se apercebem que assim aconteceu, por algum motivo. “Penso que é uma tradição curda”. De certo modo, claro que se trata de orientalismo, ou simplesmente racismo. Nunca lhe ocorreu que as pessoas no Curdistão também possam ler Judith Butler. Na melhor das hipóteses pensam: “Oh, estão tentando alcançar os padrões ocidentais da democracia e dos direitos das mulheres. Será que é sério ou será que é só para os estrangeiros verem?”. Não lhes ocorre que eles podem estar levando as coisas bem mais longe que os “padrões ocidentais” alguma vez levaram; que acreditam genuinamente nos princípios que os Estados ocidentais apenas professam.
Divulgação/ Facebook

Imagem mostra resistência curda em 1º de outubro de 2014

Mencionaste a aproximação da esquerda sobre Rojava. Como isso é recebido nas comunidades anarquistas internacionais?
A reação da comunidade anarquista internacional tem sido decididamente diversa. De certa maneira, acho difícil de entender. Existe um grupo substancial de anarquistas – normalmente os elementos mais sectários – que insiste que o PKK ainda é um grupo nacionalista autoritário stalinista, que adotou as teoria do Murray Bookchin, e outros partidários da esquerda libertária, para cortejar a esquerda anti-autoritária na Europa e América. Parece-me uma das ideias mais parvas e narcisistas que já ouvi. Mesmo que a premissa estivesse correta, e que um grupo marxista-leninista decidisse fingir uma ideologia para obter apoio estrangeiro, por que raio é que iriam escolher ideias anarquistas desenvolvidas por Murray Bookchin? Isso seria a jogada mais estúpida de sempre. Obviamente fingiriam ser islamitas ou liberais, já que são esses que conseguem armas e apoio material. De qualquer maneira, penso que muita gente na esquerda internacional, incluindo a esquerda anarquista, não quer basicamente ganhar. Não conseguem imaginar que uma revolução realmente acontecesse, e, secretamente, nem sequer a querem, uma vez que isso significaria partilhar o seu clube “cult” com pessoas comuns; já não seriam especiais. Assim, até é útil para separar os verdadeiros revolucionários dos “posers”. Mas os verdadeiros revolucionários têm-se mantido firmes.
Qual foi a coisa mais impressionante que testemunhaste em Rojava nos termos práticos desta autonomia democrática?
Existem tantas coisas impressionantes. Acho que nunca ouvi falar de nenhum outro lado do mundo onde tenha existido uma situação de dualidade de poder, onde as mesmas forças políticas criaram ambos os lados. Existe a “auto-administração democrática”, onde existem todas as formas e armadilhas de um Estado – Parlamento, ministros, e por aí –, mas criada para ser cuidadosamente separada dos meios do poder coercivo. Depois há o TEV-DEM (o Movimento da Sociedade Democrática), raiz das instituições, dirigido via democracia direta. No final – e isto é fulcral – as forças de segurança respondem perante as estruturas que seguem uma abordagem de baixo para cima, e não de cima para baixo. Um dos primeiros locais que visitamos foi a academia de polícia (Asayis). Todos tiveram que frequentar cursos de resolução de conflitos não violenta e de teoria feminista antes de serem autorizados a pegar numa arma. Os co-diretores explicaram-nos que o seu objetivo final é dar seis semanas de treino policial a toda a gente no país, para que em última análise se possa eliminar a polícia.
O que responderias às várias críticas em torno de Rojava? Por exemplo: “Eles nunca fariam isto em tempos de paz. É por causa do estado de guerra”…
Bem, penso que a maioria dos movimentos, perante as condições horrendas da guerra, não iria no entanto abolir imediatamente a pena capital, dissolver a polícia secreta e democratizar o exército. As unidades militares, por exemplo, elegem os seus oficiais.
E existe outra crítica, bastante popular nos círculos pro-governo aqui na Turquia: “O modelo que os Curdos – na linha do PKK e PYD (o Partido Curdo de União Democrática, na Síria) – estão tentando promover não é na verdade seguido por todas as pessoas que lá vivem. Essa multi-estrutura existe apenas à superfície, nos símbolos”…
Bem, o presidente do cantão de Cizire é árabe, é de fato o chefe da maior tribo local. Suponho que se possa dizer que ele é só uma figura. No sentido que todo o governo o é. Mas ao olhar para as estruturas organizadas de baixo para cima, é certo que não são só os curdos que estão participando. Disseram-me que o único problema sério é com algumas aldeias do “cinto árabe”, pessoas trazidas de outras partes da Síria pelos Baathistas nos anos 1950 e 60, como parte de uma política de marginalização e assimilação dos curdos. Algumas dessas comunidades afirmaram-se bastante hostis à revolução. Mas os árabes cujas famílias já estão lá há várias gerações, ou os assírios, quirguizes, armênios, chechenos, mostram-se entusiasmados. Os assírios com quem falamos disseram que, após uma longa e difícil relação com o governo, sentiram que finalmente lhes era permitida autonomia cultural e religiosa. Provavelmente, o maior problema pode ser o da libertação das mulheres. O PYD e o TEV-DEM vêem isso como absolutamente central na sua ideia de revolução, mas também enfrentam o problema de lidar com alianças maiores, com comunidades árabes que sentem que isto viola princípios religiosos básicos. Por exemplo, enquanto aqueles que falam siríaco têm a sua própria união de mulheres, os árabes não, e as garotas árabes interessadas em organizar-se em torno de questões de gênero ou até assistir a seminários feministas têm de se juntar com os assírios ou mesmo com os curdos.
Divulgação/ Facebook

Curdas se preparam para lutar contra EI - imagem de 27 de setembro

Não é necessário estar preso no “quadro anti-imperialista puritano” que mencionaste antes, mas o que dirias em relação ao comentário que o ocidente/imperialismo irá um dia exigir aos curdos sírios um pagamento pelo seu apoio? O que é que o ocidente pensa exatamente sobre este modelo anti-estado e anti-capitalista? É apenas uma experiência que pode ser ignorada durante um estado de guerra, enquanto os curdos aceitam voluntariamente combater um inimigo criado pelo ocidente?
É absolutamente verdade que os EUA e a Europa irão fazer o que puderem para subverter a revolução. Nem é preciso dizer nada. As pessoas com quem falei estão bem cientes disso. Mas não fazem grande diferenciação entre a liderança de poderes regionais como na Turquia, Irã ou Arábia Saudita, e poderes Euro-americanos como por exemplo França ou EUA. Assumem que são todos capitalistas e estadistas e portanto anti-revolucionários, que podem no melhor dos casos ser convencidos a apoiarem-nos mas que, em última análise, não estão do seu lado. Depois existem questões ainda mais complicadas da estrutura da chamada comunidade internacional, o sistema global de instituições como a ONU ou FMI, corporações, ONG’s, organizações humanitárias, em que todas presumem uma organização estadista, um governo que pode passar leis e detém o monopólio da aplicação coerciva dessas leis. Só existe um aeroporto em Cizire e está sob o controle do governo sírio. Podem tomá-lo a qualquer altura, dizem. E há uma razão para não o fazerem: como iria um não-Estado dirigir um aeroporto? Tudo o que se faz num aeroporto é sujeito a regulamentos internacionais, o que presume um Estado.
Leia mais: Crise humanitária em Kobani já deixou quase 1.200 mortos, denuncia ONG
Tens uma resposta para o porquê da obsessão do EI com Kobani?
Bem, eles não podem ser vistos perdendo. Toda a sua estratégia de recrutamento é baseada na ideia que eles são imparáveis, e que a sua contínua vitória é a prova que representam a vontade de Deus. Serem derrotados por um monte de feministas seria a humilhação final. Enquanto estiverem lutando em Kobani, podem dizer que a mídia mente e que estão avançando verdadeiramente. Quem pode provar o contrário? Se recuassem seria admitir a derrota.
Tens resposta para o que Tayyip Erdogan e o seu partido estão tentando fazer na Síria e o Oriente Médio em geral?
Posso apenas imaginar. Parece que Erdogan passou de uma política anti-Assad e anti-curda para uma estratégia quase puramente anti-curda. Repetidamente tem mostrado vontade de se aliar com fascistas pseudo-religiosos para atacar qualquer experiência de democracia radical inspirada no PKK. Ele vê claramente, como o próprio Daesh (EI), que o que está sendo feito é uma ameaça ideológica, talvez a única alternativa ideológica viável face ao islamismo de direita que se avizinha, e tudo fará para a eliminar.
De um lado existem os curdos iraquianos com uma ideologia bem diferente em termos de capitalismo e noção de independência. Por outro lado, existe este exemplo alternativo em Rojava. E existem os curdos da Turquia que tentam manter um processo de paz com o governo… Pessoalmente, como vês o futuro do Curdistão a curto e a longo prazo?
Quem pode dizer? Neste momento as coisas parecem surpreendentemente boas para as forças revolucionárias. O KDG até desistiu da enorme vala que estava construindo através da fronteira de Rojava, após o PKK intervir e salvar Erbil e outras cidades dos avanços do EI, em Agosto. Um membro do KNK me disse que isso teve um grande impacto na consciência popular; que um mês criou tanta consciência como 20 anos. Os jovens estavam particularmente impressionados pelo fato de seus próprios Peshmerga abandonarem o campo de batalha, mas as mulheres do PKK não. Mas é difícil de imaginar como é que o território de KRG será contudo revolucionado num futuro próximo. Nem o poder internacional o permitiria.
Apesar da autonomia democrática não parecer estar em cima da mesa de negociações na Turquia, o Movimento Político Curdo está trabalhando nisso, especialmente a nível social. Tentam encontrar soluções em termos legais e econômicos para possíveis modelos. Quando comparamos, digamos, a estrutura de classes e o nível de capitalismo no Curdistão Ocidental (Rojava) e no Norte (Turquia), o que pensas sobre as diferenças destas duas lutas para uma sociedade anti-capitalista – ou para um capitalismo minimizado, como o descrevem?
Penso que a luta curda é explicitamente anti-capitalista em ambos os países. É o seu ponto de partida. Conseguiram uma espécie de fórmula: não eliminar o capitalismo sem eliminar o Estado, e não podemos eliminar o Estado sem eliminar o patriarcado. No entanto, o povo de Rojava tem a questão simplificada em termos de classes porque a verdadeira burguesia, tal como existia numa região maioritariamente agrícola, desapareceu com o colapso do regime de Baath. Enfrentarão um problema a longo prazo se não trabalharem no sistema educativo, para assegurar que um estrato tecnocrata de desenvolvimento não tente eventualmente tomar poder, entretanto, é compreensível que se foquem de imediato nas questões de gênero. Na Turquia não sei tanto, mas tenho a sensação que as coisas são muito mais complicadas.
Durante os dias em que as pessoas do mundo não podiam respirar por razões óbvias, a tua viagem a Rojava inspirou-te sobre o futuro? Qual achas que é o “remédio” para as pessoas respirarem?
Foi extraordinário. Passei a minha vida pensando em como poderíamos fazer coisas como estas num futuro remoto e a maioria das pessoas pensa que sou louco por imaginar que isto alguma vez vai acontecer. Estas pessoas estão fazendo agora. Se eles provarem que pode ser feito, que uma sociedade genuinamente igualitária e democrática é possível, isto irá transformar completamente a noção de possibilidades humanas. Pessoalmente, sinto-me dez anos mais novo só de ter lá passado dez dias.
Com que cena te irás recordar da tua viajem a Cizire?
Existem tantas imagens impressionantes, tantas ideias. Gostei da disparidade entre o aspecto das pessoas e as coisas que diziam. Conhece-se alguém, um médico, que parece um militar sírio, vagamente assustador, de casaco de cabedal e expressão austera. Depois fala-se com ele e ele explica: “Bem, sentimos que a melhor abordagem à saúde pública é a prevenção, a maioria das doenças ocorre devido ao stress. Sentimos que se reduzirmos o stress, os níveis de doenças de coração, diabetes, e mesmo o cancro irão diminuir. Assim, o nosso plano final é reorganizar as cidades para terem 70% de espaços verdes…” Existem todos estes planos loucos e brilhantes. Mas depois vai-se ao médico ao lado e explica-nos que, graças ao embargo turco, não conseguem sequer obter equipamento ou medicamentos básicos, que todos os pacientes para diálise que não foram levados dali morreram… Esta disjunção entre as ambições e as incríveis e difíceis circunstâncias. A mulher que era efetivamente a nossa guia era uma vice-chanceler chamada Amina. A certa altura, pedimos desculpa por não termos trazido presentes melhores e ajudado a população de Rojava, que sofre sob o embargo. E ela disse: “No final, isso pouco importa. Temos a única coisa que ninguém nos pode dar. Temos a nossa liberdade. Vocês não. Quem me dera que houvesse uma maneira de poder dá-la”.
É as vezes criticado por seres demasiado otimista e entusiasta sobre o que está acontecendo em Rojava. Achas que és? Ou há alguma coisa que não entendem?
Sou otimista de temperamento, procuro situações que carreguem alguma promessa. Não acho que existam garantias que isto resultará no final, que não será esmagado, mas certamente que não será se toda a gente decidir que nenhuma revolução é possível e se recusar a dar-lhe apoio ativamente, ou até dedicar esforços a atacá-la ou aumentar o seu isolamento, como muitos fazem. Se existem alguma coisa da qual tenho consciência e os outros não, talvez seja o fato da história não estar terminada. Os capitalistas têm feito um esforço enorme nos últimos 30 ou 40 anos em convencer as pessoas que os atuais acordos econômicos – nem sequer o capitalismo, mas a forma de capitalismo semi-feudal, financializada, peculiar que temos hoje em dia – são o único sistema econômico possível. Puseram mais esforços nisto do que em criar um sistema capitalista global viável. Como resultado, o sistema está a despedaçar-se à nossa volta no preciso momento em que toda a gente perdeu a capacidade de imaginar outra coisa. Bem, é bastante óbvio que em 50 anos, o capitalismo sob qualquer forma que conhecemos, e provavelmente sob qualquer outra forma, já não existirá. Terá sido substituído por outra coisa. Essa coisa pode não ser melhor. Pode até ser pior. Por esse mesmo motivo, parece-me que é nossa responsabilidade, enquanto intelectuais, ou simplesmente seres humanos pensantes, de pelo menos pensar como será uma coisa melhor. E se existem pessoas que estão verdadeiramente tentando criar essa coisa melhor, é nossa responsabilidade ajudá-las.

27 de jan de 2015

ROSEANA SARNEY PODE SER EXTRADITADA PELO FBI: DOLEIRO DIZ QUE ENTREGOU 6 MILHÕES DE PROPINA PARA EMISSÁRIO DA EX-GOVERNADORA

O titular desta coluna eletrônica em postagens anteriores vaticinou sobre as consequências da Operação Lava Jato no Maranhão e a estratégia da ex-governadora de morar nos Estados Unidos- o sócio de Jorge Murad, João Abreu será processado/julgado/condenado/preso. Roseana Sarney deverá ser extraditada pelo FBI.

Roseana Sarney foi morar nos Estados Unidos para evitar o desgaste/ a exposição/ os questionamentos da imprensa e responder as acusações por meio de Carta Rogatória, que permitem a sua defesa o prévio conhecimento de todas as acusações. Mas nada disso impedirá a aceitação do pedido de extradição da ex-governadora.

O primeiro passo neste sentido vem com a delação do doleiro Alberto Youssef. Youssef diz que entregou pessoalmente 1,4 a um emissário de João Abreu como parte da propina acertada em 6 milhões de reais. Todo o depoimento de Youssef será compartilhado com o governo do Maranhão. O governo maranhense tem interesse no esclarecimento/ressarcimento dos recursos.

A delação do doleiro Youssef bate com o da contadora de Yosseuf, Meire Poza. É aguardada  a delação de Ricardo Pessoa, dono da Constran. Pessoa deve confirmar o pagamento da propina à ex-governadora Roseana Sarney. A prova testemunhal "triplamente qualificada" é a chave da cadeia para Roseana Sarney e João Abreu. 
Fonte: Blog do Cesar Bello

Depois de tatuar os olhos, jovem decide implantar dois chifres na testa

27/01/2015

Bruno Siqueira, de 18 anos, trabalha como tatuador em Guarapuava, no PR.
Ele tem piercings, tatuagens, língua bifurcada e branco dos olhos tatuado.

Alana Fonseca Do G1 PR, em Guarapuava 
Jovem de 18 anos implantou dois 'chifres' de silicone na testa (Foto: Alana Fonseca/G1)Jovem de 18 anos implantou dois 'chifres' de silicone na testa (Foto: Alana Fonseca/G1)
Depois das inúmeras tatuagens, dos piercings e dos alargadores, de colorir o branco dos olhos de preto e da língua bifurcada, Bruno Siqueira, de 18 anos, ainda não se sentia satisfeito com a aparência. Foi, então, que o jovem decidiu implantar dois chifres de silicone na testa em janeiro.
“Todos os dias, alguém me diz que eu devo seguir caminho de Deus. Não é porque implantei 'chifres' que não tenho fé, que quero me parecer com o diabo. Coloquei e creio em Deus, sim", afirma. Bruno mora em Guarapuava, na região central do Paraná, onde trabalha há dois anos como tatuador.
Sequência de modificações corporais
A primeira modificação corporal foi aos 11 anos, quando Bruno colocou o primeiro piercing, no nariz. Em seguida, vieram as tatuagens. As estrelas tatuadas em uma das coxas, aos 13, foi o primeiro contato que o jovem teve com a introdução de pigmentos por agulhas. “Hoje, sei que tenho pelo menos oito piercings. Quanto às tatuagens, já perdi as contas. No rosto, sei que são quase 20”, afirma.
Colocar alargadores no nariz foi o que mais doeu até agora, segundo Bruno (Foto: Arquivo pessoal)Colocar alargadores no nariz foi o que mais doeu até agora, segundo Bruno (Foto: Arquivo pessoal)
Depois dos piercings e das tatuagens, Bruno decidiu fazer modificações mais radicais. Ele colocou dois alargadores, um em cada lado do nariz. O procedimento foi feito com o auxílio de um bisturi, em 2014. “Foi o procedimento que mais doeu até agora”, revela.
No ano passado, o jovem também injetou tinta na camada de proteção dos olhos, técnica conhecida por “eyeball tatoo”. “Chorei lágrimas pretas por dois ou três dias”, lembra. A tatuagem foi feita de graça, no Rio de Janeiro, durante um tempo em que Bruno passou trabalhando no estado. "Foram 20 minutos para pintar cada olho. Uma agonia", define.
Ele conta que viu a técnica de tatuar o branco dos olhos pela primeira vez na televisão, em 2007. Desde então, ele não tirou a ideia da cabeça. Para a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SOB), o procedimento invasivo é desaconselhável e pode causar inflamação interna, levando à perda da visão.
Em 2014, a língua do jovem também passou por uma modificação. Agora, após a operação, ela é bifurcada; a característica é comum aos répteis. A repartição foi feita com a ajuda de um bisturi e, depois, foram dados alguns pontos. “Tive que ficar sem beijar por um bom tempo. Mas valeu a pena”, garante.
A última modificação que Bruno fez no corpo foi a implantação de dois “chifres” na testa, sem nenhum tipo de anestesia. “A pele é cortada, descolada e, então, são colocados os implantes. Depois são dados alguns pontos. Ainda dói um pouco porque é uma operação recente”, conta.
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O jovem tem a língua bifurcada e o branco dos olhos tatuado com a cor preta (Foto: Arquivo pessoal)Jovem tatuador tem a língua bifurcada e o olhos tatuados de preto desde 2014 (Foto: Arquivo pessoal)
Saída de casa
Logo que colocou os primeiros piercings e fez as primeiras tatuagens, Bruno teve que sair da casa da família. “Eles não aceitavam muito. Eu não tinha lugar fixo; às vezes, ficava na casa de amigos ou por aí”, relata. Só aos 16, quando começou “a viver de tatuagem”, como ele mesmo diz, é que pôde bancar sua casa própria.
Bruno não sabe dizer quantas tatuagens, ao todo, tem (Foto: Arquivo pessoal)Bruno não sabe dizer quantas tatuagens, ao todo,
tem espalhadas pelo corpo (Foto: Arquivo pessoal)
Hoje, ele mora com a gata Laurinha em uma casa no bairro Morro Alto. Em abril, a filha Sophi deve nascer. Segundo ele, se um dia a menina pedir para fazer uma tatuagem ou por um piercing, ele garante que não será contrário. “Mas só quando ela for madura o suficiente”, explica.
Depois de um tempo, os parentes de Bruno passaram a aceitar a aparência do jovem. Ele conta que as crianças da família, principalmente, não apresentam nenhum tipo de estranhamento. “É engraçado ver como elas não têm preconceito e ainda acham o máximo”, afirma.
Preconceito
Entretanto, o preconceito de pessoas desconhecidas faz com que Bruno, às vezes, se sinta mal. “Nas ruas, as reações são diversas: há quem fique olhando, há quem ri, há quem venha falar sobre Deus comigo, há quem queira tirar fotos, há quem me chame de gay...”, diz.
O tatuador conta que evita locais e ruas muito movimentados justamente por causa das reações negativas de algumas pessoas. “Elas não estão preparadas para o diferente. E eu sou diferente”, acredita. Bruno relata que, quando vai ao mercado, há sempre um segurança que o segue e olhares desconfiados. “Chega a ser constrangedor, parece que eu sou um bandido”, desabafa.
Próxima vontade
Ignorando o preconceito, o jovem diz que a sua próxima vontade é a suspensão corporal. “A suspensão corporal consiste em suspender o corpo por meio de ganchos passados através de perfurações na pele”, explica. As perfurações são temporárias e abertas um tempo antes de o ato ser realizado.
Bruno concluiu o Ensino Médio, não fez faculdade e, por enquanto, não faz planos de frequentar uma. “Eu quero viver de tatuagem, não me imagino fazendo outra coisa na vida. E quanto ao meu corpo, o que eu tiver que fazer para me sentir bem, vou fazer”, conclui.
'Eu quero viver de tatuagem, não me imagino fazendo outra coisa', diz Bruno (Foto: Arquivo pessoal)'Eu quero viver de tatuagem, não me imagino fazendo outra coisa', diz Bruno (Foto: Arquivo pessoal)

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25 de jan de 2015

Conselho da ONU pede libertação imediata de refém japonês pelo EI

Estado Islâmico confirmou a execução de um dos dois reféns.
Para ONU, crime é 'lembrança do perigo enfrentado pelas pessoas na Síria'.

Da France Presse 
Estado Islâmico exige US$ 200 milhões para libertar japoneses (Foto: GloboNews)Estado Islâmico exige US$ 200 milhões para
libertar japoneses (Foto: GloboNews)
O Conselho de Segurança da ONU condenou neste domingo (25) o assassinato de um refém japonês pelo grupo Estado Islâmico (EI), e pediu a libertação imediata do segundo japonês que os jihadistas mantêm em cativeiro.
Em uma declaração unânime, os 15 membros do Conselho condenaram o "ato atroz e covarde e a brutalidade" de Haruna Yukawa. "Este crime é, novamente, uma lembrança trágica do perigo crescente que as pessoas enfrentam diariamente na Síria, incluindo os jornalistas", disse o Conselho.

"Também volta a mostrar a brutalidade do EI, responsável por milhares de abusos contra os povos sírio e iraquiano", acrescentou. O Conselho também assinalou "a necessidade de levar os responsáveis por esses atos de terrorismo repreensíveis à Justiça".
Os países pediram a libertação imediata de Kenji Goto e de todos os reféns que ainda mantêm o EI e outros grupos, como a Frente al-Nusra e entidades associadas à Al-Qaeda.
A rádio do grupo Estado Islâmico (EI) confirmou neste domingo a execução de Yukawa, um dia depois da divulgação de um vídeo anunciando a sua morte. "O Estado Islâmico cumpriu sua ameaça. Executou o refém japonês Haruna Yukawa após expirado o ultimato" de 72 horas dado pelo grupo jihadista na última terça-feira (20), anunciou a rádio Al-Bayan.
"O segundo refém pede que seja feita pressão sobre o governo japonês para que liberte nossa irmã Sajida al-Rishawi, detida nas prisões dos opressores na Jordânia, em troca de sua libertação", assinala a emissora. Sajida é uma terrorista iraquiana condenada à morte na Jordânia.

No sábado (24), o grupo jihadista havia divulgado um gravação que mostra uma imagem de outro refém japonês, Kenji Goto, segurando o que parece ser uma fotografia do corpo de Yukawa, com uma gravação de áudio na qual Goto fala sobre a nova exigência do Estado Islâmico para liberar uma prisioneira em troca de sua libertação. A suposta execução de Yukawa não é mostrada.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que a "credibilidade" do vídeo é "alta". "Estamos verificando sua autenticidade, mas infelizmente no momento não podemos deixar de dizer que a credibilidade é alta", disse Abe à emissora "NHK".
 
Entenda o caso
Em um vídeo publicado na internet na última terça-feira (20), um suposto membro do grupo jihadista deu um prazo de 72 horas ao governo do Japão para pagar US$ 200 milhões e evitar a execução de dois reféns de nacionalidade japonesa.

Uma vez cumprido o prazo nesta sexta-feira (23), as autoridades de Tóquio garantiram que continuam fazendo o possível para libertar os reféns.
O governo revelou que mantém contato com países como Jordânia e Turquia para, através deles, conseguir chegar a autoridades religiosas e líderes locais que ajudem o Japão a conseguir a libertação dos reféns.
Muhammed Ibrahim, um membro do grupo opositor sírio Coalizão Nacional Síria (CNFROS), revelou, por sua vez, à emissora pública japonesa 'NHK' que seu grupo está ajudando o Japão a negociar a libertação dos reféns. Ibrahim explicou que alguns membros da coalizão estão recolhendo informações sobre os reféns a pedido do governo japonês.
Os dois japoneses sequestrados pelo Estado Islâmico são Kenji Goto, um conhecido jornalista freelancer de 47 anos, e Haruna Yukawa, um homem de 42 anos que aparentemente viajou à Síria para montar uma empresa de segurança e que acabou se unindo a um grupo rebelde, rival do EI.